quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Criticar a mídia ?

Criticar a mídia?

Promoção! Compre este maravilhoso produto, mas não perca o próximo capítulo. Neste número, transmitiremos ao vivo assim que você nos adicionar aos seus favoritos. Extra, extra! As últimas notícias, em breve, numa sala perto de você. É, meu caro, vivemos numa sociedade midiatizada.

Nossa sociedade

A sociedade midiatizada é aquela na qual os veículos de comunicação de massa têm uma presença tão significativa na vida social que mesmo as trocas simbólicas entre os sujeitos (a interação ou a comunicação entre eles) se relacionam com o que é posto em circulação pela mídia. Para o pesquisador em comunicação Muniz Sodré Cabral, “na sociedade mediatizada, as instituições, as práticas sociais e culturais articulam-se diretamente com os meios de comunicação, de tal maneira que a mídia se torna progressivamente o lugar por excelência da produção social do sentido.“ (CABRAL, 2001, p. 27)

Justamente por ocupar um papel tão central na atualidade é que se justifica a importância da análise dos veículos de comunicação e suas implicações na sociedade. Pode-se definir que analisar a mídia é repensar aquilo que é veiculado, tentar compreender as etapas de produção da indústria midiática, analisar os condicionantes sócio e históricos da mídia, observar as relações de poder entre os veículos de comunicação e outras instituições, etc. Ou seja, tentar, de alguma forma, apropriar-se do que é transmitido pela mídia e desenvolver uma reflexão que extrapole este sentido inicial.

Para o teórico da comunicação, José Luiz Braga, esta apropriação do que a mídia circula é realizada pelas pessoas cotidianamente. Ao invés de perceber os sujeitos como receptores passivos em relação à mídia, Braga afirma que as pessoas discutem, questionam e retrabalham o que vêem nos jornais, no cinema, na publicidade. O pesquisador ainda completa esse “sistema de resposta social” com a possibilidade dessas pessoas se organizarem para responder à mídia com comentários, sugestões e mesmo críticas. É o que ocorre através das cartas e e-mails de leitores; das manifestações públicas; da intervenção de instituições a exemplo do Ministério Público; e dos observatórios especializados em crítica de mídia, como o Mídia em Pauta.

Nossa crítica

O filósofo Michel Foucault, comentou que a crítica, antes de tentar determinar o que é verdade e o que é mentira, deve apontar para os próprios mecanismos envolvidos na produção dessas verdades ou mentiras. Para ele, a crítica tem potencial libertador justamente por tentar explicitar o funcionamento do que nos governa, inclusive os limites do nosso próprio conhecimento.

O objetivo da crítica de mídia é justamente aplicar este movimento aos veículos de comunicação e suas relações com a sociedade. Não enxergar a indústria midiática como mera transmissora de informação, e sim como uma série de agentes complexos, heterogêneos, históricos e dotados de interesses específicos.

Desta forma, a crítica de mídia costuma ser relacionada à democracia ou ao direito à informação. Se por um lado os veículos de comunicação são cruciais para os processos democráticos numa sociedade, a mídia também deve ser investigada e mesmo criticada já que continua sendo uma instituição com seus interesses e limitações.

Nenhum comentário: